125 anos a semear ciência, a cultivar tradições e a colher empreendedores

Estamos a comemorar 125 de ensino desta grande instituição, que hoje se chama ESAS. Desde a sua fundação até aos nossos dias, palmilhamos um caminho que não foi fácil, um caminho agreste, cheio de ervas daninhas e de muitas pedras no sapato.

Cumprir este trajecto, com os níveis de sucesso que atingimos, não está ao alcance de muitos, foi preciso ter garra, raça, capacidade de sofrimento, coragem, confiança, força, muita força, jogo de cintura, audácia, e muita capacidade empreendedora.

Superamos um regicídio, com uma consequente mudança de regime político, duas guerras mundiais, uma guerra colonial, uma ditadura fascista, uma revolução com cravos e um sem número de crises económico-financeiras que nestes últimos 39 anos, têm sido o prato forte desta suposta democracia.

Foram 125 anos a semear ciência, a cultivar tradições e a colher empreendedores!

Uma sementeira que germinou e deu frutos pelos quatro cantos do mundo, promovendo o desenvolvimento da actividade agrícola.

Cultivamos tradições que se enraizaram, que se cimentaram e que ano após ano foram sendo transmitidas de geração em geração e constituíram aquilo a que hoje chamamos mística, a mística dos Charruas, essa família especial a que ganhamos o direito de pertencer e tivemos o privilégio de poder escolher. Esta família especial é um edifício forte, robusto, lindo, construído com amizade e paixão e que possui alicerces que lhe permitiram crescer ano após ano. Hoje é um verdadeiro arranha-céus com 125 andares e preparado para continuar a receber um novo piso, a cada ano que passa.

Colhemos milhares de empreendedores, que nos muitos lugares onde desenvolvem a sua actividade profissional, dentro e fora da fileira agrícola, são uma força motriz impressionante, que tem criado emprego, que tem reabilitado o sector agrícola, que tem inovado e promovido o progresso da agricultura nacional e mundial.

Vivemos hoje mais uma grave crise económica, de consequências imprevisíveis para o futuro desta instituição. A crise tem dificultado muito o crescimento sustentado desta instituição, contudo, fruto de um trabalho serio e empenhado e muito profissional da actual Direcção da ESAS, a nossa escola está a investir um milhão de euros em novas infra-estruturas que irão garantir um ensino de qualidade e um futuro promissor.

A escola que todos conhecemos por fora, está a mudar por dentro, sem alaridos de forma paulatina mas consistente, segura e planeada ao milímetro. A nova imagem que ela vai ter a muito curto prazo, deve ser conhecido por todos e neste dia 10 de Junho, devemos aproveitar para conhecer a mudança que está a ser processada e que estou certo, nos deixará orgulhosos.

Somos diferentes, vivemos e sentimos esta instituição com paixão que transpira em toda a academia. Os pilares que sustentam a mística dos Charruas, continuam fortes e mesmo tendo 125 de idade, estão bem conservados e são eles que garantem que a paixão não esmoreça e que se renove a cada ano, porque o cordão umbilical que nos une a esta instituição quebra-se fisicamente no fim do curso, mas continua forte e sólido a ligar-nos espiritualmente durante o resto das nossas vidas.

Mas o que é isso de ser Charrua?

Ser charrua é um estado de espirito uma forma de estar, de viver e de sentir a vida académica de uma forma tão especial, que perdura mesmo para lá dos tempos de estudante. Somos diferentes e assumimos orgulhosamente essa diferença, com:

Confiança – na direcção, nos professores, nos alunos nos funcionários, em nós e no futuro!

Honra – No passado, na história e na memória desta ilustre instituição.

Altruísmo – porque somos capazes de pôr os outros em primeiro lugar.

Responsabilidade – em tudo aquilo que fazemos.

Raças – porque somos de uma casta diferente, porque somos únicos.

União – porque não sabemos viver sem partilha, sem dar e receber.

Amizade – Porque precisamos de amigos para sermos verdadeiramente felizes.

Saudade – Porque vivemos e sentimos a escola com paixão, com alma e coração, a saudade acompanha-nos o resto da vida.

Temos superado imensas dificuldades, imensas crises, tenho certeza que saberemos superar mais esta, que para lá de económica e financeira, é sobretudo uma crise de valores e de ideais, que alastra pelo país e nos deixa amorfos, sem auto-estima, sem reacção, sem dinâmica.

Empenhados e conscientes das dificuldades, continuaremos a garantir, a formação de qualidade.

125 Anos a semear ciência, a cultivar tradições, a colher empreendedores!

É este o nosso cartão-de-visita, foi este o nosso passado, é este o nosso futuro!

Termino dizendo que, pode haver iguais a nós, mas não há com toda a certeza, melhores!

Ao alto ao alto CHARRRRRUUUUUUUUUUUUUUUUAAAAAAAAAAAAAAASSSSSSSSSSS!

Alberto Miranda